terça-feira, 3 de julho de 2012

Viagem inimaginável-V



(Imagem: Acrílico s/tela)

Natal

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Um novo fruto nasceu num ramo da árvore.
As raizes rejubilaram de alegria
e o poeta, ao espelho, viu
    as lágrimas escorrerem  dos seus olhos sorridentes.



(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

A Força


(Imagem: Pastel s/papel)

Viagem inimaginável-IV



(Imagem:Acrílico s/tela)

Renascer

2sol2.jpg (600×400)

Abriram-se-me nos olhos duas manhãs
que agora sinto pena do anoitecer.



(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Viagem inimaginável-III




(Imagem: Acrílico s/tela)

Haiti

10029119.jpeg (550×367)

Não te consigo falar.
As imagens não se precipitam sobre a tua superfície branca.
Apenas me perseguem os quatro cavalos que romperam das entranhas da terra..
Nada mais senão os quatro cavalos. Apocalipse !
Peço aos olhos que se virem para dentro e procurem ainda
algum pequeno regato .
Mas não, já estou seco.
Saltam o vermelho, o negro e o baio,
o branco segue-os de perto...
E os dedos não se mexem
e a mão não tem coragem
e do cérebro apenas o lamento.

Janeiro,2010

(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

Viagem inimaginável-II

(Imagem: Acrílico s/tela)

Revelação

Porque da árvore das horas já vão caindo as folhas
exorto-vos,
revelando as imagens que aos meus olhos surgem,
a só esperar o amanhecer.

O amanhã será dos frutos das minhas sementes
e dos frutos de todas as outras sementes
que sabem que hão-de gerar raízes.
O tempo será ciclicamente renovado
por mãos que se estendem com dedos de gavinhas
pelos homens e mulheres, árvores de fundas raízes,
que abrem os braços como os ramos
num abraço onde cabe o universo
e vivem em liberdade e – sobretudo - em igualdade,
sem angústias do passado nem da morte inevitável,
que se desprendem e rebentam com os casulos do tempo
numa metamorfose encadeada onde sempre
o fim será o início.

Será o sonho revelado nos meus olhos.
O campo lavrado para a sementeira,
terra revolta com as mãos abertas,
de braços cheios, sem jugo.
As mesmas mãos e os mesmos braços
dos mesmos homens-árvore
e das mesmas mulheres-árvore
e sempre a mesma terra-mãe
onde hão-de pousar as minhas cinzas lançadas ao vento;
porque eu quero fazer parte dessa terra de redenção
e ter a certeza, já, de que terá valido a pena e
que os meus olhos não me enganaram.


(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

Viagem inimaginável



(Imagem:Acrilico s/tela)

Em memória do meu amigo Guillaume

Elegia

A ténue recordação de tantos rumos
ao olhar este mar
o último dos muitos navegados
deambulando entre o desespero e a esperança.

Por que vagas se ficaram as ilusões
de novas enseadas e novos cais ?
Por que terras nunca aportadas
vaguearam os sonhos deste marinheiro ?

Esburgo o que resta de tanta viagem :
meia dúzia de mãos abertas
algum porto de aconchego e pouco mais.

(Olho do alto da gávea...)

Não acredito que exista algum abrigo
para além desta água.
O derradeiro dos mares sorve-me
e acompanha-me num préstito
de que desconheço a duração.

Aqui ou pouco além tudo acaba,
as imagens desvanecem-se, nada mais é urgente.
Estas águas, como o tempo, apenas vogam
ao sabor de um intento inexorável que as dissipam.


(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

sábado, 30 de junho de 2012

O exemplo das árvores

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Seja qual for o destino
do voo das tuas mãos
lembra-te
e pensa maduramente
no exemplo das árvores.


(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

Anónimos

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Lembra-te das abelhas,
do seu voo de cera e açúcar,
que terçam dardos
se o perigo se aproxima.

Em nome do sol que protegem
desconhecem a indiferença.
Nunca se relembra o seu nome...

(recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)


Sem nome

DSC_0447A.JPG (327×400)

Esta árvore
bebe a seiva do egoismo
porque enraizada em terra chula.

Terra podre
onde nada mais nascerá
apenas resistirão ramos retorcidos
onde poisam necrófagos.



(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

Sentimento

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O muito que sinto não tem imagem
nem forma mas tem peso
agrilhoa-me o peito
incomoda-me mesmo
quase sempre magoa.


(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

Lamento


limbo-2--large-msg-121437108147.jpg (500×723)
És incapaz de me escutar
e de olhar por mim
mesmo que o teu corpo ainda amanheça
ou que no meu,
ainda esvoassem gaivotas
aturdidas pela espuma branca das ondas.

Tens a certeza de todo o meu amor!

E é nesse limbo que ficarei
apesar dos gritos das entranhas
apesar de toda a tua indiferença.


(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

O beijo

Imagens-da-Lua-FOTO9.jpg (352×306)

O meu amor deu-me um beijo
e nasceu um rio de madrugadas
que desaguaram sobre o peito.

Um renascer
em que se adormece ao sol do sonho
deitados de costas no chão
respirando o hálito fesco da terra ainda húmida.

Bendito campo
pobre de terra mas cheio de vida
que acena aos pássaros com as suas mãos de espiga
e agradece às raizes o dom da seiva.

Hoje,
os rios libertam as sereias
e o seu canto de harpa mágica
e as colinas rasgam o céu
com a força desmedida da terra-mãe.

O meu amor está em festa
cumpre-se a vida na colmeia
renasce o sol
e quere-se a lua.

(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface) 

Ausência

angustia.jpg (320×256)

Nasce a saudade no abrir dos braços
e a ave da angústia que esvoaça no vazio
faz o ninho no meio do peito.

A tua ausência é uma planta de cacto.
Perene,
trespassa-me em tropismos que dilaceram. 


(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

Re(a)cordar

MasahisaFukase4.jpg (640×416)

Ao anoitecer,
quando os homens, como os pássaros,
se despenham nas suas árvores
o cheiro primaveril das flores roxas,
aponta para uma outra vereda.

Um de novo encher o peito,
um recobrar primário dos sentidos
poluídos nos caminhos entre os espelhos,
entre as mãos e os olhos
e pelo esquadrinhar dos desejos.

Só depois,
o submergir no mar do sono,
numa calma sem fantasmas.  


(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

A escultura - três sextilhas

file_1_4.jpg (768×500)

Com um cinzel de esperança
nas mãos fortes da lembrança
tento a escultura suprema.
Entre os dedos corre-me o tempo
pelo coração um vento
da verdade que me algema.


Bebo a água que purifica
a mente que ainda acredita
num princípio criador.
Não falo de Deus mas de Luz
esse foco que me conduz
dentro da palavra Amor.


Eis que uma obra plena
em pedra feita poema
surje entre sins e nãos;
é bem humana a figura
mudando em branda a pedra dura
com um coração entre as mãos.

Certeza

trees-in-fog.jpg (500×333)

Até amanhã !
Tenho a certeza de que estarás comigo.
Mesmo que desaparecesses, hoje, ao fim do dia,
amanhã estarias comigo, dentro de mim.



(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

Frente a um cavalete transparente

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Pega na tua paleta e mistura todas as tuas cores.
Do resultado, apenas tu, tens a total compreensão.
Se tiveres coragem, pinta-te e assina.
Poderás não ser um artista...mas és tu assumidamente!


(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)


Anátema


83119.jpg (264×191)

Súbito, reapareceu perante os nossos olhos.
Não queríamos acreditar!
Era o reavivar de feridas antigas,
o readmitir que se voltava de novo ao princípio.
Era um Anátema que nenhum de nós queria aceitar.
Sabemos que os factos balançam entre as nossa emoções.
Mas seria que estávamos preparados para semelhante provação?
De novo demos as mãos.
Se o Anátema se extinguiu não creio que em tal acreditemos.
Mas que acreditamos na nossa força, isso, é certo!



(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Decisão

A fim de uniformizar matérias decidi começar a transferir para este blogue imagens e textos 
dispersos por outros e separar definitivamente as áreas de intervenção.
Se acaso virem ou lerem algo de que já tenham conhecimento não se admirem.

sábado, 23 de junho de 2012

Cinco anos

C
Continuam a doer-me os dias...
É duro, Mãe !

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Três quadras para o fado Suplica


Doem-me as palavras que te digo
e sangra-me o peito um grito rouco
tudo quiz, fiz e vi mas não consigo
deixar de pensar que o sonho é louco.

Tive um desejo de asas brancas
rasgando o céu verde mar da esperança
quis dar-te uma bola azul com núvens francas
mas ela move-se rouxa e sem lembrança.

Podes dizer-me que vou partir triste
que as árvores não seivam, apenas sangram
mas se um homem canta sempre resiste
e junta-se aos que lutam e sempre cantam.


Cantado pela 1ª.vez por Nuno Mata no "Tasco Fora de Moda"-Alfama, em 28.06.2012.

sábado, 12 de maio de 2012

Quatro sextilhas para o Fado Raúl Pinto



Ao caminhar pelo mundo
num viver forte e profundo
fui levado a conhecer
ideias simples ou raras,
muita gente, muitas caras,
tempos de amar ou esquecer.

Tive a sorte de sentir
dentro de mim a subir
gentes, palavras e cores
áreas e gestos formosos
pausas e sons furiosos
pequenos ódios e amores.

Lábios perdendo o sorriso
a luz branca sem aviso
e trevas em pleno dia
ouvi pedir compaixão
e escutei dizer que não,
descobri a cobardia.

Serás tu a decidir
os caminhos por onde ir
e com quem acompanhar;
que a vida é feita de laços
e na força dos abraços
só aí o verbo Amar. 

Poema/letra oferecido ao meu Amigo e Cantador Nuno Mata
estreado em 11.05.2012 no " Mesa de Frades"

domingo, 6 de maio de 2012

CEM


 Na tua ausência !
No teu lugar coloquei uma rosa príncipe negro, a que tu mais gostavas...
E manteve-se viva como se manterá a tua memória...
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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Fado cinzento


Cinzento, muito cinzento,
augúrio de noite escura
onde cresce o desalento
e um tempo de lamento
que só o sonhar esconjura.

Recordação que não quero
trazer de novo comigo;
já vivi tempo severo
aliado ao desespero
e à dor que traz consigo.

A imagem dos meus olhos
em sonhos verás envolta;
não me importam os escolhos
nem o franzir dos sobrolhos
nos olhos à minha volta.

Nunca vendas os teus sonhos,
nada paga um sonho em si,
não há nada mais medonho
que ao venderes o teu sonho
deixar que sonhem por ti.

(Cantado pela 1ª. vez por Nuno Mata no Mesa de Frades em 21.7.2012, na música do Fado Bailado)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Uma noite no Fado



na companhia de dois grandes cantadores - Jorge Morgado e Nuno Mata -.
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