sábado, 30 de junho de 2012

A escultura - três sextilhas

file_1_4.jpg (768×500)

Com um cinzel de esperança
nas mãos fortes da lembrança
tento a escultura suprema.
Entre os dedos corre-me o tempo
pelo coração um vento
da verdade que me algema.


Bebo a água que purifica
a mente que ainda acredita
num princípio criador.
Não falo de Deus mas de Luz
esse foco que me conduz
dentro da palavra Amor.


Eis que uma obra plena
em pedra feita poema
surje entre sins e nãos;
é bem humana a figura
mudando em branda a pedra dura
com um coração entre as mãos.

Certeza

trees-in-fog.jpg (500×333)

Até amanhã !
Tenho a certeza de que estarás comigo.
Mesmo que desaparecesses, hoje, ao fim do dia,
amanhã estarias comigo, dentro de mim.



(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

Frente a um cavalete transparente

paleta+de+pintura+lilian+martins+arte+catarina+%C3%B3leosobretela.JPG (1600×1170)

Pega na tua paleta e mistura todas as tuas cores.
Do resultado, apenas tu, tens a total compreensão.
Se tiveres coragem, pinta-te e assina.
Poderás não ser um artista...mas és tu assumidamente!


(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)


Anátema


83119.jpg (264×191)

Súbito, reapareceu perante os nossos olhos.
Não queríamos acreditar!
Era o reavivar de feridas antigas,
o readmitir que se voltava de novo ao princípio.
Era um Anátema que nenhum de nós queria aceitar.
Sabemos que os factos balançam entre as nossa emoções.
Mas seria que estávamos preparados para semelhante provação?
De novo demos as mãos.
Se o Anátema se extinguiu não creio que em tal acreditemos.
Mas que acreditamos na nossa força, isso, é certo!



(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Decisão

A fim de uniformizar matérias decidi começar a transferir para este blogue imagens e textos 
dispersos por outros e separar definitivamente as áreas de intervenção.
Se acaso virem ou lerem algo de que já tenham conhecimento não se admirem.

sábado, 23 de junho de 2012

Cinco anos

C
Continuam a doer-me os dias...
É duro, Mãe !

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Três quadras para o fado Suplica


Doem-me as palavras que te digo
e sangra-me o peito um grito rouco
tudo quiz, fiz e vi mas não consigo
deixar de pensar que o sonho é louco.

Tive um desejo de asas brancas
rasgando o céu verde mar da esperança
quis dar-te uma bola azul com núvens francas
mas ela move-se rouxa e sem lembrança.

Podes dizer-me que vou partir triste
que as árvores não seivam, apenas sangram
mas se um homem canta sempre resiste
e junta-se aos que lutam e sempre cantam.


Cantado pela 1ª.vez por Nuno Mata no "Tasco Fora de Moda"-Alfama, em 28.06.2012.

sábado, 12 de maio de 2012

Quatro sextilhas para o Fado Raúl Pinto



Ao caminhar pelo mundo
num viver forte e profundo
fui levado a conhecer
ideias simples ou raras,
muita gente, muitas caras,
tempos de amar ou esquecer.

Tive a sorte de sentir
dentro de mim a subir
gentes, palavras e cores
áreas e gestos formosos
pausas e sons furiosos
pequenos ódios e amores.

Lábios perdendo o sorriso
a luz branca sem aviso
e trevas em pleno dia
ouvi pedir compaixão
e escutei dizer que não,
descobri a cobardia.

Serás tu a decidir
os caminhos por onde ir
e com quem acompanhar;
que a vida é feita de laços
e na força dos abraços
só aí o verbo Amar. 

Poema/letra oferecido ao meu Amigo e Cantador Nuno Mata
estreado em 11.05.2012 no " Mesa de Frades"

domingo, 6 de maio de 2012

CEM


 Na tua ausência !
No teu lugar coloquei uma rosa príncipe negro, a que tu mais gostavas...
E manteve-se viva como se manterá a tua memória...
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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Fado cinzento


Cinzento, muito cinzento,
augúrio de noite escura
onde cresce o desalento
e um tempo de lamento
que só o sonhar esconjura.

Recordação que não quero
trazer de novo comigo;
já vivi tempo severo
aliado ao desespero
e à dor que traz consigo.

A imagem dos meus olhos
em sonhos verás envolta;
não me importam os escolhos
nem o franzir dos sobrolhos
nos olhos à minha volta.

Nunca vendas os teus sonhos,
nada paga um sonho em si,
não há nada mais medonho
que ao venderes o teu sonho
deixar que sonhem por ti.

(Cantado pela 1ª. vez por Nuno Mata no Mesa de Frades em 21.7.2012, na música do Fado Bailado)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Uma noite no Fado



na companhia de dois grandes cantadores - Jorge Morgado e Nuno Mata -.
Posted by Picasa

domingo, 1 de abril de 2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Anelo

The_scream.jpg (320×320)

Procuro encontrar-me na distância de um grito...!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Matinal



matevalexander_thumb.jpg (728×869)






Acorda meu amor que amanhece
mais uma suave e bela madrugada
foi-se a infeliz lua envergonhada
ficou este sol de amar que nos aquece.

Eu sei que o tempo já desvanece
as folhas da árvore tão  desejada
mas na raiz  ainda é encontrada
a seiva que os  seus ramos fortalece.

E é aqui então que me enterneço
ao olhar-te assim feliz a meu lado
a compor para ti este meu fado
em que só tu me lembras e eu me esqueço.

Para ti meu amor sempre secreto
meu porto de abrigo mais que perfeito
o canto com que sagro no meu  peito
este diário amor redescoberto.

(Quadras para um fado)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Quatro sextilhas para um fado

 Avô-e-Neto.jpg (290×400)                            


Sem mais tempo tenho medo
vou contar-te sem segredo
tudo aquilo que vivi
o que é bom e mau saber
o que deves conhecer
do muito que eu aprendi.

É belo vogar na vida
numa nau bem construída
como é bom vogar no mar
e meter as mãos na terra
e olhar o céu que encerra
a tal pomba a voar.

Mas não esqueças os escolhos;
pranto não é só dos olhos
e que o peito também grita
que mãos rebentam cadeias
que há sangue fora das veias
e mágoas de gente aflita.

Um dia um rasgo de vento
cortará num só momento
os passos no meu caminho
e as palavras serão história
de mim só a memória
e tu seguirás sozinho.

(Cantado pela 1ª. vez por Nuno da Mata, com música do Fado Maria Rita, no "Mesa de Frades", em Junho de 2012)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Joana

O que não me disseste por palavras...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Chegados aqui, um Fado

                                            
                                            Cansado deste cansaço
                                            de esperar pela esperança
                                            pouco a pouco perco espaço
                                            já que a vida é um bem escasso
                                            que a morte cedo alcança.

                                           De tudo o que carrego
                                           em saco de peregrino
                                           ao que afirmo e ao que nego
                                           ao que vejo, ao que estou cego
                                           falta apenas o destino.

                                           Por apego ou por desleixo
                                           além do mar na minha frente
                                           de tesouro apenas deixo
                                           as mãos em concha em que fecho
                                           este amor por toda a gente.

                                           Guardo-o pedaço a pedaço
                                           esse amor que me não cansa
                                           e grito pelo seu abraço
                                           apesar deste meu cansaço
                                           de esperar pela esperança.

(Original da letra/poema oferecida ao bom Amigo e fadista  Jorge Morgado)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dourado e vermelho

R_620.jpg (480×640)

Hoje, ofereço-te uma romã !
   Merece-la em todo o seu significado...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sentença

mataram-norma1.jpg (293×279)

-Mataram o Rei ?
-Não, mataram um homem !
-Tens pena do Rei ?
-Não!
Tenho pena do homem .

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Posfácio

nada1.jpg (344×490)


E um dia, amanhã, perguntarei:
Que fizeste ?
E acharei, indubitavelmente, que fiz muito pouco
ou quase nada.
Nesse momento, terei a certeza de ter chegado ao fim.
Nesse  instante talvez levante as persianas e abra a janela
e à falta de melhor destino...salte.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Germinal



E aquela aragem fresca desperta-me do torpor.
Afinal ainda gosto de pensar
que as palavras podem ser borboletas procurando o doce
num jardim onde os jovens se beijam e excitam;
que existe quem as ouça e entenda
e malgrado o fingimento
vá perdendo pétala a pétala a sua corola
abrindo com prazer o gineceu.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Intempestivo


De uma furna onde
ainda esvoaçam emoções
renasce um tardio rio de lava;

um espanto no entardecer
em que o sol se demora um pouco mais
no aguardar da noite certa.

Já não existem promessas de manhãs
e das tardes só já a recordação;
certo  só o sol que arrefece no horizonte.

Mas tanta cor excita  tanto calor embriaga
e o moroso movimento hipnotiza
e celebra-se a volúptia por o vulcão
ainda não estar extinto.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ínsito


Posso estar ferido mas estou vivo
e enquanto vivo, luto !

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Angústia e lamento


...e pressentindo que ele me foje...

quero dar-lhe as mãos,
apertá-lo contra o peito,
ensinar-lhe tudo o que sei,

mas não me deixam...

e eu que queria tanto
falar-lhe sobre as árvores...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Só por ti...um soneto

Doeu-me tanto a tua dor não sendo minha...
Muito mais que sendo minha doesse...
Mas as minhas dores eu já não sinto,
doem-me as tuas e disso muito padeço.

Não me dói a carne, dói-me por dentro.
Eu sei do que falo, já lá passei
Por essa terra de tormento,
do esquecimento, eu sei!

Mas tens aqui a minha mão e a minha força
O meu peito e a minha voz para gritar
Não só a minha, de todos , a nossa

Aquela voz antiga que nos traça
o destino de seguir em frente, de lutar
e destingue os homens da nossa raça.

domingo, 8 de maio de 2011

Estigma



Não posso recordar o que não sofri
mas posso pressentir a angústia e
a dor dos que sofreram.

Tirei fotografias ao passado e
revelei-as aqui dentro
sairam nítidas    a preto e branco,
sempre a preto e branco
como a tortura e a dor punjente.

Por muito que se seja forte, dói !
Dói sempre e violenta !

Aqui nunca voam as recordações,
tudo fica, perene,
a marcar de ferrete
toda uma memória.

Abril, 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Imperativo

...reencontrar rápidamente o mar
que me afogo de tanta terra.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um olhar estilhaçado


Um horizonte de facas !
Apesar do Sol nas esplanadas
todos vão beber sumos azedos;
até os rebuçados das crianças
serão imagináriamente doces.

E julgavamos nós que as pedras
da rua seriam de açucar e
que o Sol seria quente e não gelado;
e que as mãos dos homens seriam
gavinhas entrelaçadas quando
acordamos naquela manhã e vimos
que afinal o céu era verde.

Também não era de esperar outra coisa.
O céu era habitualmente cinzento
escuro quase negro
e embora as gentes gritassem de
várias cores só uma se sobrepunha
- o cinzento escuro quase negro.

Tudo isto já era só memória
até hoje... continuam as gentes
a gritar de várias cores mas
as facas no horizonte de afiado fio
lembram-nos o cinzento quase
negro de outros tempos
em que as gavinhas eram decepadas.

2011

domingo, 13 de março de 2011

Desengano



Continuo a procurar-te colmeia
para te crestar o mel,
mas só encontro vespeiros...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011