sexta-feira, 27 de abril de 2012
Fado cinzento
Cinzento, muito cinzento,
augúrio de noite escura
onde cresce o desalento
e um tempo de lamento
que só o sonhar esconjura.
Recordação que não quero
trazer de novo comigo;
já vivi tempo severo
aliado ao desespero
e à dor que traz consigo.
A imagem dos meus olhos
em sonhos verás envolta;
não me importam os escolhos
nem o franzir dos sobrolhos
nos olhos à minha volta.
Nunca vendas os teus sonhos,
nada paga um sonho em si,
não há nada mais medonho
que ao venderes o teu sonho
deixar que sonhem por ti.
(Cantado pela 1ª. vez por Nuno Mata no Mesa de Frades em 21.7.2012, na música do Fado Bailado)
terça-feira, 10 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Matinal
Acorda meu amor que amanhece
mais uma suave e bela madrugada
foi-se a infeliz lua envergonhada
ficou este sol de amar que nos aquece.
Eu sei que o tempo já desvanece
as folhas da árvore tão desejada
mas na raiz ainda é encontrada
a seiva que os seus ramos fortalece.
E é aqui então que me enterneço
ao olhar-te assim feliz a meu lado
a compor para ti este meu fado
em que só tu me lembras e eu me esqueço.
Para ti meu amor sempre secreto
meu porto de abrigo mais que perfeito
o canto com que sagro no meu peito
este diário amor redescoberto.
(Quadras para um fado)
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Quatro sextilhas para um fado
Sem mais tempo tenho medo
vou contar-te sem segredo
tudo aquilo que vivi
o que é bom e mau saber
o que deves conhecer
do muito que eu aprendi.
É belo vogar na vida
numa nau bem construída
como é bom vogar no mar
e meter as mãos na terra
e olhar o céu que encerra
a tal pomba a voar.
Mas não esqueças os escolhos;
pranto não é só dos olhos
e que o peito também grita
que mãos rebentam cadeias
que há sangue fora das veias
e mágoas de gente aflita.
Um dia um rasgo de vento
cortará num só momento
os passos no meu caminho
e as palavras serão história
de mim só a memória
e tu seguirás sozinho.
(Cantado pela 1ª. vez por Nuno da Mata, com música do Fado Maria Rita, no "Mesa de Frades", em Junho de 2012)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Chegados aqui, um Fado
Cansado deste cansaço
de esperar pela esperança
pouco a pouco perco espaço
já que a vida é um bem escasso
que a morte cedo alcança.
de esperar pela esperança
pouco a pouco perco espaço
já que a vida é um bem escasso
que a morte cedo alcança.
De tudo o que carrego
em saco de peregrino
ao que afirmo e ao que nego
ao que vejo, ao que estou cego
falta apenas o destino.
em saco de peregrino
ao que afirmo e ao que nego
ao que vejo, ao que estou cego
falta apenas o destino.
Por apego ou por desleixo
além do mar na minha frente
de tesouro apenas deixo
as mãos em concha em que fecho
este amor por toda a gente.
Guardo-o pedaço a pedaço
esse amor que me não cansa
e grito pelo seu abraço
apesar deste meu cansaço
de esperar pela esperança.
(Original da letra/poema oferecida ao bom Amigo e fadista Jorge Morgado)
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Posfácio

E um dia, amanhã, perguntarei:
Que fizeste ?
E acharei, indubitavelmente, que fiz muito pouco
ou quase nada.
Nesse momento, terei a certeza de ter chegado ao fim.
Nesse instante talvez levante as persianas e abra a janela
e à falta de melhor destino...salte.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Germinal
E aquela aragem fresca desperta-me do torpor.
Afinal ainda gosto de pensar
que as palavras podem ser borboletas procurando o doce
num jardim onde os jovens se beijam e excitam;
que existe quem as ouça e entenda
e malgrado o fingimento
vá perdendo pétala a pétala a sua corola
abrindo com prazer o gineceu.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Intempestivo
De uma furna onde
ainda esvoaçam emoções
renasce um tardio rio de lava;
um espanto no entardecer
em que o sol se demora um pouco mais
no aguardar da noite certa.
Já não existem promessas de manhãs
e das tardes só já a recordação;
certo só o sol que arrefece no horizonte.
Mas tanta cor excita tanto calor embriaga
e o moroso movimento hipnotiza
e celebra-se a volúptia por o vulcão
ainda não estar extinto.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Angústia e lamento
...e pressentindo que ele me foje...
quero dar-lhe as mãos,
apertá-lo contra o peito,
ensinar-lhe tudo o que sei,
mas não me deixam...
e eu que queria tanto
falar-lhe sobre as árvores...
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Só por ti...um soneto
Doeu-me tanto a tua dor não sendo minha...
Muito mais que sendo minha doesse...
Mas as minhas dores eu já não sinto,
doem-me as tuas e disso muito padeço.
Não me dói a carne, dói-me por dentro.
Eu sei do que falo, já lá passei
Por essa terra de tormento,
do esquecimento, eu sei!
Mas tens aqui a minha mão e a minha força
O meu peito e a minha voz para gritar
Não só a minha, de todos , a nossa
Aquela voz antiga que nos traça
o destino de seguir em frente, de lutar
e destingue os homens da nossa raça.
Muito mais que sendo minha doesse...
Mas as minhas dores eu já não sinto,
doem-me as tuas e disso muito padeço.
Não me dói a carne, dói-me por dentro.
Eu sei do que falo, já lá passei
Por essa terra de tormento,
do esquecimento, eu sei!
Mas tens aqui a minha mão e a minha força
O meu peito e a minha voz para gritar
Não só a minha, de todos , a nossa
Aquela voz antiga que nos traça
o destino de seguir em frente, de lutar
e destingue os homens da nossa raça.
domingo, 8 de maio de 2011
Estigma
Não posso recordar o que não sofri
mas posso pressentir a angústia e
a dor dos que sofreram.
Tirei fotografias ao passado e
revelei-as aqui dentro
sairam nítidas a preto e branco,
sempre a preto e branco
como a tortura e a dor punjente.
Por muito que se seja forte, dói !
Dói sempre e violenta !
Aqui nunca voam as recordações,
tudo fica, perene,
a marcar de ferrete
toda uma memória.
Abril, 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
Um olhar estilhaçado
Um horizonte de facas !
Apesar do Sol nas esplanadas
todos vão beber sumos azedos;
até os rebuçados das crianças
serão imagináriamente doces.
E julgavamos nós que as pedras
da rua seriam de açucar e
que o Sol seria quente e não gelado;
e que as mãos dos homens seriam
gavinhas entrelaçadas quando
acordamos naquela manhã e vimos
que afinal o céu era verde.
Também não era de esperar outra coisa.
O céu era habitualmente cinzento
escuro quase negro
e embora as gentes gritassem de
várias cores só uma se sobrepunha
- o cinzento escuro quase negro.
Tudo isto já era só memória
até hoje... continuam as gentes
a gritar de várias cores mas
as facas no horizonte de afiado fio
lembram-nos o cinzento quase
negro de outros tempos
em que as gavinhas eram decepadas.
2011
domingo, 13 de março de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Recusando desistir
e desenhou os seus desejos dourados na espuma das ondas.
(Imagem: acrílico s/tela)
sábado, 22 de janeiro de 2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Renascimento e reencontro
Não necesito de uma improvável estrela
para saber por onde vou.
O meu caminho é o da Terra e dos Homens
da água, do húmus, das árvores,
das mãos entrelaçadas, dos corações irmanados,
do pensamento gregário.
Por aí, sim, renasce e reencontro, cada dia,
o meu Natal.
12/2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Início
Teus olhos lacrimejantes
duas pétalas de flor orvalhada
soriam à feliciodade de haver no mundo
um ser a quem amar.
Colhi essas pétalas na retina
dos meus olhos tornados mansos
e recoloquei-as em pensamento
numa corola doce branca
numa haste fina e sem espinhos.
Tudo plantei no húmus fértil
do campo por lavrar da nossa vida
e reconstitui-te;
recordei-tre
olhando para mim
lacrimejante
quando mais uma vez te disse .
-Meu Amor !
Arquivo-1970
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
Dardos - II
Quis a extrema benevolência de Nuno Sotto Mayor Ferrão, através do seu "Crónicas do Professor Ferrão (http://www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt/) atribuir ao "João" mais um Dardo.
Agradeço-lhe, sinceramente, considerando, contudo, que os pressupostos da atribuição serão demasiadamente exagerados para o mérito do que por aqui se "passa".
Não indo repetir as condições do prémio mas para que seja, de novo, obrigatoriamente solidário, passo a nomear:
Agradeço-lhe, sinceramente, considerando, contudo, que os pressupostos da atribuição serão demasiadamente exagerados para o mérito do que por aqui se "passa".
Não indo repetir as condições do prémio mas para que seja, de novo, obrigatoriamente solidário, passo a nomear:
-http://lojadeideias.blogspot.com/
-http://poemar-te.blogspot.com//
http://bibliotecariodebabel.com//
http://diario-grafico.blogspot.com/
http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/
http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com/
http://azereiro.blogspot.com/
http://cirandando-ariel.blogspot.com/
http://direitoeavesso-pepa.blogspot.com/
http://homem-ao-mar.blogspot.com/
-http://poemar-te.blogspot.com//
http://bibliotecariodebabel.com//
http://diario-grafico.blogspot.com/
http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/
http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com/
http://azereiro.blogspot.com/
http://cirandando-ariel.blogspot.com/
http://direitoeavesso-pepa.blogspot.com/
http://homem-ao-mar.blogspot.com/
Tempos de Hiram
Não, não muda !
Fartam-se de matar Hiram
mas esquecem-se que Hiram não morre
nem os seus matadores apesar de justiçados.
Hiram e os seus assassinos
renascem sempre
e tudo volta ao início
porque as acácias também se renovam.
(Imagem: Acrílico s/tela)
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Prémio Dardos
«O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideiais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.»
Quis a minha Boa Amiga Ana Paula Sena Belo, do excelente "O Fio de Ariadne", atribuir ao "João Olhos no Mar" o Prémio Dardos.
Companheira destas lides de "gostar da escrita", acarinha-me sempre com a suas palavras e a sua permanente companhia e atenção. Agradeço-lhe, por isso, profundamente .
O Prémio Dardos tem as seguintes regras:
-Exibir a imagem do Selo no blogue.
-Revelar o link do blogue que me atribuiu o Prémio .
-Escolher 10, 15 ou 30 blogues para premiar.
Dando seguimento ao último quesito das regras, nomeio os seguintes blogues:
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