domingo, 6 de fevereiro de 2011

Recusando desistir


...olhou o mar tão perto
e desenhou os seus desejos dourados na espuma das ondas.

(Imagem: acrílico s/tela)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Em dia de reflexão

(Imagem: Pintura em acrílico sobre tela e pasta)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Renascimento e reencontro


Não necesito de uma improvável estrela
para saber por onde vou.

O meu caminho é o da Terra e dos Homens
da água, do húmus, das árvores,
das mãos entrelaçadas, dos corações irmanados,
do pensamento gregário.

Por aí, sim,  renasce e reencontro, cada dia,
o meu Natal.

12/2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

Afectos

(Imagem: acrílico s/tela)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Início


Teus olhos lacrimejantes
duas pétalas de flor orvalhada
soriam à feliciodade de haver no mundo
um ser a quem amar.

Colhi essas pétalas na retina
dos meus olhos tornados mansos
e recoloquei-as em pensamento
numa corola doce branca
numa haste fina e sem espinhos.

Tudo plantei no húmus fértil
do campo por lavrar da nossa vida
e reconstitui-te;

recordei-tre
olhando para mim
lacrimejante
quando mais uma vez te disse .
-Meu Amor !

Arquivo-1970


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Contador de enganos

Nunca abras um espelho;
nunca queiras ver o que lhe ficou gravado na memória. 

(Imagem: Acrílico s/ tela)

sábado, 13 de novembro de 2010

Dardos - II

Quis a extrema benevolência de Nuno Sotto Mayor Ferrão, através do seu "Crónicas do Professor Ferrão (http://www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt/)  atribuir ao "João" mais um Dardo.
Agradeço-lhe, sinceramente, considerando, contudo, que os pressupostos da atribuição serão demasiadamente exagerados para o mérito do que por aqui se "passa".
Não indo repetir as condições do prémio mas para que seja, de novo, obrigatoriamente solidário, passo a nomear:

Tempos de Hiram


Não, não muda !
Fartam-se de matar Hiram
mas esquecem-se que Hiram não morre
nem os seus matadores apesar de justiçados.

Hiram e os seus assassinos
renascem sempre
e tudo volta ao início
porque as acácias também se renovam.

(Imagem: Acrílico s/tela)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Prémio Dardos


«O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideiais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.»

Quis a minha Boa Amiga Ana Paula Sena Belo, do excelente "O Fio de Ariadne", atribuir ao "João Olhos no Mar" o Prémio Dardos.
Companheira destas lides de "gostar da escrita", acarinha-me sempre com a suas palavras e a sua permanente companhia e atenção. Agradeço-lhe, por isso, profundamente .

O Prémio Dardos tem as seguintes regras:

-Exibir a imagem do Selo no blogue.
-Revelar o link do blogue que me atribuiu o Prémio .
-Escolher 10, 15 ou 30 blogues para premiar.

Dando seguimento ao último quesito das regras, nomeio os seguintes blogues:

História de um retrato

Com palavras molhadas nas tuas cores
te fui escrevendo
minha cidade de céu azul quase branco
do casario escadeado desde o castelo,
de sombras, muralhas e muros
salpicados pelo verde fresco das árvores
e das trepadeiras.


Cidade do rio mágico
a chamar-nos a todos ,
como às gaivotas,
que também, como todos nós,
nascem no rio !


Cidade velha
das casas ternuramente velhas,
que nos invade ao passar
como que a deslindar histórias
e a ficar com a nossa
que passa, agora, também a ser sua.
 
(Imagem: Acrilico sobre tela)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Natural


A propósito de uma fotografia de Astrid Noël .

(Imagem:Acrílico sobre tela)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

T de AMAR


Se de alguém a memória moldará a recordação
de ti será !

Que te quizeste fazer passar, quase transparente,
pelo fundo dos espelhos das fadas;
pela penumbra dos cantos
das salas apinhadas;
pela água pura das fontes
das escarpas do teu caminho.

Pelas muitas janelas abertas
a tua luz entrará iluminando, para sempre,
todos a quem deixaste o suave desvelo
do teu abraço aconchegado
e as carícias das pétalas das tuas mãos.

1,11,2010


(imagem: acrílico sobre papel)



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mão-tenente


Tal como quando me sorri o sorriso
me dói a dor
só que a dor não passa...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Prosopopeia


Acabei de escrever sobre um dilema...
E utilizei muitas cores...
Lá por ser sombrio não quer dizer que não tenha cor.
O que importa é que distinga a dualidade,
que nos convide à reflexão.
 
Escrevi uma prosopopeia,
um discurso veemente,
um murro visual, que qualquer um entende...
ou penso eu que entende...
que isto de pensar pelos outros
também tem os seus quês...
e os seus porquês...
mas como, considero eu, que é tão simples
nem me passa pela cabeça que não entendam...
só se não quizerem entender...
e, afinal,  vendo bem, talvez haja quem
não queira entender...
ou não lhe interesse entender...
que essa coisa do interesse também tem muito que se lhe diga..
no melhor desinteresse cai a nódoa...
a gente sabe que assim é, há muito, talvez desde sempre...

Mas, e afinal, a dualidade do dilema?
Que se lixe !
Passa a dividir-se em duas unidades
e cada um utiliza uma como quizer...


(Imagem: pintura em acrílico s/tela)

domingo, 17 de outubro de 2010

Os olhos

between_hello_and_goodbye_by_bark-d2z2p5v.jpg (640×472)

Reencontrei-a nuns olhos inocentes
abertos de espanto
num prenúncio de cinzas.
No vazio do espelho
a respiração já não batia as asas
e um pássaro
no parapeito da janela
mudou de cor ao levantar voo.
Cresceu um poço de silêncio
arrastando sombras
afundando claridades.
Comprendi que de novo
um amanhã se dissipara.
Só as flores da vendedeira
mantiveram o viço
porque eram necessárias
para o dia seguinte.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os pés do mensageiro

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Se Deus existisse
as pedras lançadas em seu nome
transformar-se-iam em água,
saravam feridas, purificavam actos;
mas Deus, se existiu, morreu
e não deixou testamento
nem descendência.

(Imagem: © Rui de Almeida Cardoso - facebook.com/racfotomkt)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Momento


Não li uma linha
nem escrevi uma frase
mas tive um poema nos meus braços
e declamei-o com toda a força do meu silêncio
não fosse alguém quebrar-me o encantamento.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Libelo


Eu não quero voltar a Hiroxima ...!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Nocturno

media_floresta-negra-7819b.jpg (357×280)


À Filipa

Disseste que me ias trazer mais vida.
Não consegui adormecer.
Os velhos da floresta
não adormecem nas promessas de vida
nem nas perspectivas da morte;
esperam sempre que se cumpram.
E cumpriste o voto !
Por isso me sinto solar
mesmo que a noite perdure.

sábado, 10 de julho de 2010

Treffen in Oldenburg

Tempo%5B1%5D.jpg (308×320)


Por fim, encontrei-te !

Espero que tenhamos muito tempo
para conversar.

Quero ensinar-te
tudo o que aprendi e
o que descobri no vogar dos dias .

Andar pela vida não é fácil
mas é bom. É bom viver,
aprender e amar. É bom
o olhar o mar, o sentir a terra,
o inebriar-se com o cheiro do campo molhado,
com as cores de uma seara em pleno sol;
o admirar o voo das aves
e o labor das abelhas e das formigas;
saber que os homens podem ser
como as árvores,
que as suas mãos podem ser conchas e
os seus braços ancoradouros
como num oceano mágico..

E não vou esconder-te nada!

Vais saber que as lágrimas
não caem só dos olhos,
que o peito também grita,
que há braços que rebentam cadeias e
que da boca não nascem só sorrisos
e, também,
que existe sangue,
muito sangue, e não só nas veias;
que podem aparecer trevas em pleno dia
como acontecer uma luz fulgurante
capaz de transmudar o escuro.

E que de dentro de ti
podem brotar cores e palavras,
manchas e silêncios,
sons e movimentos de beleza incalculável,
ruídos e quietudes inexplicáveis,
saberes e incógnitas ainda por descobrir.

Saberás ,também, que um dia
prepararás a tua partida,
e sentir-te-ás , certamente
porque cumpriste a vida,
contente pelas sementes, feliz pelas raizes,
realizado pelas árvores.

Súbito,
um vento frio atravessará o meu caminho;
hão-de se me secar as palavras
e desvanecer as recordações;
terei chegado ao fim do meu mar...
E nessa altura
tu continuarás sem mim
- ou comigo
se recordares as nossas conversas -.

Serás tu, então,
com os teus amores e pensamentos,
a apertar mãos e a trocar sentimentos,
a contar o que os teus olhos viram
e as palavras que ofereceste,
a escolher a tua companhia
e a transmitir-lhe o que aprendeste.

Contudo, recorda-te sempre:
Os espelhos para onde olhares
apenas falarão de ti . Esquece-os !
Recusa, sempre, pensar-te só.
O destino é de colmeia;
só aí te justificarás.

É muito importante que assim seja!...

E, apenas por isto,
já terá valido a pena
este nosso encontro em Oldenburg.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Saudade



Continuo a pintar-te de memória
e não quero terminar o quadro.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Uma tenaz dentro do peito


À
Ana Paula F.

O jugo
o sangue do bruto
no acerado espigão
o comando
o cornaca
no dorso do elefante.

(A revolta da mão
às palavras que escreve
a ira da mente num poema de febre
os lábios que se recusam
a pronunciar a escrita
a alma livre
que repele
luta e grita
o poeta que aponta
no absurdo
a verdadeira ponte
que lhe atravessa o espírito
e se despenha na folha de papel).

Miguel Gomes Coelho - De Coração na Mão
Ed. Autor - 1978

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Agir



A necessidade
imperiosa
de reagir.

O ignorado escudeiro
ergueu-se ante o monstro
e o poeta encontrou
novo tema
para ajudar a cantar
a força real
oculta
submetida
das mãos dos homens
que sonham
rebentar cadeias.


Miguel Gomes Coelho- De Coração na Mão
Ed. Autor - 1978

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Recobro


vazio.jpg (425×323)

Desaperta o coração apertado.
Refaz o tempo desfeito;
recusa esse vácuo perpendicular ao tempo,
o vazio que se esconde no peito.


sábado, 5 de junho de 2010

O escorrega

De tempos a tempos
a ideia da morte, talvez próxima,
brinca comigo como criança
em manhã de  parque infantil.

Que venha !
Adoro brincar...

terça-feira, 1 de junho de 2010

A criança tem direito


A criança tem direito a uma casa azul
A criança tem direito a um Mundo são
A criança tem direito a uma cor     a uma fala     e a um campo
A criança tem direito a uma ninfa verde     a um céu     azul e branco
A criança tem direito a uma espiga
A criança tem direito a um livro
A criança tem direito a uma bola de cristal
    à chegada de um cavalo apocalíptico
A criança tem direito a uma lágrima
    e a um olhar brilhante
A criança tem direito     enfim     à vida.

Miguel Gomes Coelho - De Coração na Mão
Ed. Autor - 1978

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Campânula

Entre uma paisagem de Lisboa demasiado clara
e uma tentativa de retrato fica um grito pela natureza
e um jardim de mulheres em pose fotográfica.
Ainda restam uma conversa de máscaras lívidas
num fundo escuro e difuso e uma velhinha
lendo o jornal junto à janela ensolarada e ao cão sentado a seus pés.
Ainda um jogo geométrico de cores, um jornal antigo,
um conto, três retratos a carvão.
Assim o espaço que defronto onde ainda persigo,
 incansavelmente, o tempo que falta .
Um diálogo de mãos e olhos, saberes e ignorâncias,
 sorrisos e choros, ternuras e ódios, difícil mas íntimo
e tal como tudo o resto, sempre inacabado.

domingo, 23 de maio de 2010

Esta enorme alegria

planta.JPG (352×400)

de poder sentir crescer as plantas...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Continuar

ceu.jpg (500×375)

Embora cinzento o tempo
sinto as núvens brancas.
Pressinto, mesmo, alguns verdes...
É bom pressentir a cor verde nas núvens brancas;
é bom pressentir um leve sorriso no cinzento.

Diziam-me ontem : Que bom !
O sentir que a boca se entreabre e existe luz...
Que bom, digo eu !
Que posso adormecer com um sorriso nos lábios...


sábado, 1 de maio de 2010

União


(Recordação da Feira Franca)

Eram grupos
pequenos magotes de gente       falando
uns com os outros discutindo
a palavra como arma
a palavra     o gesto     a voz     o timbre     a altura
a palavra     a arma de ontem     hoje     amanhã     futura
a minha e a tua
a minha vai vestida     a minha vai nua
e a tua ?

Eram pequenos magotes de gente
aos centos na grande praça     no mercado
da palavra e das ideias
a falar livres os pensamentos
tu cá tu lá
a palavra precisa e a imprecisa
o consciente e o inconsciente
o certo e o incerto
mas decerto ...
era o campo mais livre     o mercado mais franco
o renascer mais belo
da existência talhada a cutelo

e condenou-se a fábula :
o rato tinha parido uma montanha ...

 Miguel Gomes Coelho
De coração na mão - Ed. Autor - 1978