quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dourado e vermelho

R_620.jpg (480×640)

Hoje, ofereço-te uma romã !
   Merece-la em todo o seu significado...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sentença

mataram-norma1.jpg (293×279)

-Mataram o Rei ?
-Não, mataram um homem !
-Tens pena do Rei ?
-Não!
Tenho pena do homem .

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Posfácio

nada1.jpg (344×490)


E um dia, amanhã, perguntarei:
Que fizeste ?
E acharei, indubitavelmente, que fiz muito pouco
ou quase nada.
Nesse momento, terei a certeza de ter chegado ao fim.
Nesse  instante talvez levante as persianas e abra a janela
e à falta de melhor destino...salte.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Germinal



E aquela aragem fresca desperta-me do torpor.
Afinal ainda gosto de pensar
que as palavras podem ser borboletas procurando o doce
num jardim onde os jovens se beijam e excitam;
que existe quem as ouça e entenda
e malgrado o fingimento
vá perdendo pétala a pétala a sua corola
abrindo com prazer o gineceu.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Intempestivo


De uma furna onde
ainda esvoaçam emoções
renasce um tardio rio de lava;

um espanto no entardecer
em que o sol se demora um pouco mais
no aguardar da noite certa.

Já não existem promessas de manhãs
e das tardes só já a recordação;
certo  só o sol que arrefece no horizonte.

Mas tanta cor excita  tanto calor embriaga
e o moroso movimento hipnotiza
e celebra-se a volúptia por o vulcão
ainda não estar extinto.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ínsito


Posso estar ferido mas estou vivo
e enquanto vivo, luto !

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Angústia e lamento


...e pressentindo que ele me foje...

quero dar-lhe as mãos,
apertá-lo contra o peito,
ensinar-lhe tudo o que sei,

mas não me deixam...

e eu que queria tanto
falar-lhe sobre as árvores...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Só por ti...um soneto

Doeu-me tanto a tua dor não sendo minha...
Muito mais que sendo minha doesse...
Mas as minhas dores eu já não sinto,
doem-me as tuas e disso muito padeço.

Não me dói a carne, dói-me por dentro.
Eu sei do que falo, já lá passei
Por essa terra de tormento,
do esquecimento, eu sei!

Mas tens aqui a minha mão e a minha força
O meu peito e a minha voz para gritar
Não só a minha, de todos , a nossa

Aquela voz antiga que nos traça
o destino de seguir em frente, de lutar
e destingue os homens da nossa raça.

domingo, 8 de maio de 2011

Estigma



Não posso recordar o que não sofri
mas posso pressentir a angústia e
a dor dos que sofreram.

Tirei fotografias ao passado e
revelei-as aqui dentro
sairam nítidas    a preto e branco,
sempre a preto e branco
como a tortura e a dor punjente.

Por muito que se seja forte, dói !
Dói sempre e violenta !

Aqui nunca voam as recordações,
tudo fica, perene,
a marcar de ferrete
toda uma memória.

Abril, 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Imperativo

...reencontrar rápidamente o mar
que me afogo de tanta terra.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um olhar estilhaçado


Um horizonte de facas !
Apesar do Sol nas esplanadas
todos vão beber sumos azedos;
até os rebuçados das crianças
serão imagináriamente doces.

E julgavamos nós que as pedras
da rua seriam de açucar e
que o Sol seria quente e não gelado;
e que as mãos dos homens seriam
gavinhas entrelaçadas quando
acordamos naquela manhã e vimos
que afinal o céu era verde.

Também não era de esperar outra coisa.
O céu era habitualmente cinzento
escuro quase negro
e embora as gentes gritassem de
várias cores só uma se sobrepunha
- o cinzento escuro quase negro.

Tudo isto já era só memória
até hoje... continuam as gentes
a gritar de várias cores mas
as facas no horizonte de afiado fio
lembram-nos o cinzento quase
negro de outros tempos
em que as gavinhas eram decepadas.

2011

domingo, 13 de março de 2011

Desengano



Continuo a procurar-te colmeia
para te crestar o mel,
mas só encontro vespeiros...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Recusando desistir


...olhou o mar tão perto
e desenhou os seus desejos dourados na espuma das ondas.

(Imagem: acrílico s/tela)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Em dia de reflexão

(Imagem: Pintura em acrílico sobre tela e pasta)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Renascimento e reencontro


Não necesito de uma improvável estrela
para saber por onde vou.

O meu caminho é o da Terra e dos Homens
da água, do húmus, das árvores,
das mãos entrelaçadas, dos corações irmanados,
do pensamento gregário.

Por aí, sim,  renasce e reencontro, cada dia,
o meu Natal.

12/2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

Afectos

(Imagem: acrílico s/tela)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Início


Teus olhos lacrimejantes
duas pétalas de flor orvalhada
soriam à feliciodade de haver no mundo
um ser a quem amar.

Colhi essas pétalas na retina
dos meus olhos tornados mansos
e recoloquei-as em pensamento
numa corola doce branca
numa haste fina e sem espinhos.

Tudo plantei no húmus fértil
do campo por lavrar da nossa vida
e reconstitui-te;

recordei-tre
olhando para mim
lacrimejante
quando mais uma vez te disse .
-Meu Amor !

Arquivo-1970


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Contador de enganos

Nunca abras um espelho;
nunca queiras ver o que lhe ficou gravado na memória. 

(Imagem: Acrílico s/ tela)

sábado, 13 de novembro de 2010

Dardos - II

Quis a extrema benevolência de Nuno Sotto Mayor Ferrão, através do seu "Crónicas do Professor Ferrão (http://www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt/)  atribuir ao "João" mais um Dardo.
Agradeço-lhe, sinceramente, considerando, contudo, que os pressupostos da atribuição serão demasiadamente exagerados para o mérito do que por aqui se "passa".
Não indo repetir as condições do prémio mas para que seja, de novo, obrigatoriamente solidário, passo a nomear:

Tempos de Hiram


Não, não muda !
Fartam-se de matar Hiram
mas esquecem-se que Hiram não morre
nem os seus matadores apesar de justiçados.

Hiram e os seus assassinos
renascem sempre
e tudo volta ao início
porque as acácias também se renovam.

(Imagem: Acrílico s/tela)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Prémio Dardos


«O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideiais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.»

Quis a minha Boa Amiga Ana Paula Sena Belo, do excelente "O Fio de Ariadne", atribuir ao "João Olhos no Mar" o Prémio Dardos.
Companheira destas lides de "gostar da escrita", acarinha-me sempre com a suas palavras e a sua permanente companhia e atenção. Agradeço-lhe, por isso, profundamente .

O Prémio Dardos tem as seguintes regras:

-Exibir a imagem do Selo no blogue.
-Revelar o link do blogue que me atribuiu o Prémio .
-Escolher 10, 15 ou 30 blogues para premiar.

Dando seguimento ao último quesito das regras, nomeio os seguintes blogues:

História de um retrato

Com palavras molhadas nas tuas cores
te fui escrevendo
minha cidade de céu azul quase branco
do casario escadeado desde o castelo,
de sombras, muralhas e muros
salpicados pelo verde fresco das árvores
e das trepadeiras.


Cidade do rio mágico
a chamar-nos a todos ,
como às gaivotas,
que também, como todos nós,
nascem no rio !


Cidade velha
das casas ternuramente velhas,
que nos invade ao passar
como que a deslindar histórias
e a ficar com a nossa
que passa, agora, também a ser sua.
 
(Imagem: Acrilico sobre tela)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Natural


A propósito de uma fotografia de Astrid Noël .

(Imagem:Acrílico sobre tela)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

T de AMAR


Se de alguém a memória moldará a recordação
de ti será !

Que te quizeste fazer passar, quase transparente,
pelo fundo dos espelhos das fadas;
pela penumbra dos cantos
das salas apinhadas;
pela água pura das fontes
das escarpas do teu caminho.

Pelas muitas janelas abertas
a tua luz entrará iluminando, para sempre,
todos a quem deixaste o suave desvelo
do teu abraço aconchegado
e as carícias das pétalas das tuas mãos.

1,11,2010


(imagem: acrílico sobre papel)



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mão-tenente


Tal como quando me sorri o sorriso
me dói a dor
só que a dor não passa...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Prosopopeia


Acabei de escrever sobre um dilema...
E utilizei muitas cores...
Lá por ser sombrio não quer dizer que não tenha cor.
O que importa é que distinga a dualidade,
que nos convide à reflexão.
 
Escrevi uma prosopopeia,
um discurso veemente,
um murro visual, que qualquer um entende...
ou penso eu que entende...
que isto de pensar pelos outros
também tem os seus quês...
e os seus porquês...
mas como, considero eu, que é tão simples
nem me passa pela cabeça que não entendam...
só se não quizerem entender...
e, afinal,  vendo bem, talvez haja quem
não queira entender...
ou não lhe interesse entender...
que essa coisa do interesse também tem muito que se lhe diga..
no melhor desinteresse cai a nódoa...
a gente sabe que assim é, há muito, talvez desde sempre...

Mas, e afinal, a dualidade do dilema?
Que se lixe !
Passa a dividir-se em duas unidades
e cada um utiliza uma como quizer...


(Imagem: pintura em acrílico s/tela)

domingo, 17 de outubro de 2010

Os olhos

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Reencontrei-a nuns olhos inocentes
abertos de espanto
num prenúncio de cinzas.
No vazio do espelho
a respiração já não batia as asas
e um pássaro
no parapeito da janela
mudou de cor ao levantar voo.
Cresceu um poço de silêncio
arrastando sombras
afundando claridades.
Comprendi que de novo
um amanhã se dissipara.
Só as flores da vendedeira
mantiveram o viço
porque eram necessárias
para o dia seguinte.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os pés do mensageiro

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Se Deus existisse
as pedras lançadas em seu nome
transformar-se-iam em água,
saravam feridas, purificavam actos;
mas Deus, se existiu, morreu
e não deixou testamento
nem descendência.

(Imagem: © Rui de Almeida Cardoso - facebook.com/racfotomkt)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Momento


Não li uma linha
nem escrevi uma frase
mas tive um poema nos meus braços
e declamei-o com toda a força do meu silêncio
não fosse alguém quebrar-me o encantamento.