(Imagem:Acrilico s/tela)
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Em memória do meu amigo Guillaume
Elegia
A ténue recordação de tantos rumos
ao olhar este mar
o último dos muitos navegados
deambulando entre o desespero e a esperança.
Por que vagas se ficaram as ilusões
de novas enseadas e novos cais ?
Por que terras nunca aportadas
vaguearam os sonhos deste marinheiro ?
Esburgo o que resta de tanta viagem :
meia dúzia de mãos abertas
algum porto de aconchego e pouco mais.
(Olho do alto da gávea...)
Não acredito que exista algum abrigo
para além desta água.
O derradeiro dos mares sorve-me
e acompanha-me num préstito
de que desconheço a duração.
Aqui ou pouco além tudo acaba,
as imagens desvanecem-se, nada mais é urgente.
Estas águas, como o tempo, apenas vogam
ao sabor de um intento inexorável que as dissipam.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
A ténue recordação de tantos rumos
ao olhar este mar
o último dos muitos navegados
deambulando entre o desespero e a esperança.
Por que vagas se ficaram as ilusões
de novas enseadas e novos cais ?
Por que terras nunca aportadas
vaguearam os sonhos deste marinheiro ?
Esburgo o que resta de tanta viagem :
meia dúzia de mãos abertas
algum porto de aconchego e pouco mais.
(Olho do alto da gávea...)
Não acredito que exista algum abrigo
para além desta água.
O derradeiro dos mares sorve-me
e acompanha-me num préstito
de que desconheço a duração.
Aqui ou pouco além tudo acaba,
as imagens desvanecem-se, nada mais é urgente.
Estas águas, como o tempo, apenas vogam
ao sabor de um intento inexorável que as dissipam.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
sábado, 30 de junho de 2012
O exemplo das árvores

Seja qual for o destino
do voo das tuas mãoslembra-te
e pensa maduramente
no exemplo das árvores.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
Anónimos

Lembra-te das abelhas,
do seu voo de cera e açúcar,
que terçam dardos
se o perigo se aproxima.
Em nome do sol que protegem
desconhecem a indiferença.
Nunca se relembra o seu nome...
do seu voo de cera e açúcar,
que terçam dardos
se o perigo se aproxima.
Em nome do sol que protegem
desconhecem a indiferença.
Nunca se relembra o seu nome...
Sem nome
Esta árvore
bebe a seiva do egoismo
porque enraizada em terra chula.
Terra podre
onde nada mais nascerá
apenas resistirão ramos retorcidos
onde poisam necrófagos.
bebe a seiva do egoismo
porque enraizada em terra chula.
Terra podre
onde nada mais nascerá
apenas resistirão ramos retorcidos
onde poisam necrófagos.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
Sentimento
O muito que sinto não tem imagem
nem forma mas tem pesoagrilhoa-me o peito
incomoda-me mesmo
quase sempre magoa.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
Lamento
És incapaz de me escutar
e de olhar por mim
mesmo que o teu corpo ainda amanheça
ou que no meu,
ainda esvoassem gaivotas
aturdidas pela espuma branca das ondas.
Tens a certeza de todo o meu amor!
E é nesse limbo que ficarei
apesar dos gritos das entranhas
apesar de toda a tua indiferença.
e de olhar por mim
mesmo que o teu corpo ainda amanheça
ou que no meu,
ainda esvoassem gaivotas
aturdidas pela espuma branca das ondas.
Tens a certeza de todo o meu amor!
E é nesse limbo que ficarei
apesar dos gritos das entranhas
apesar de toda a tua indiferença.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
O beijo
O meu amor deu-me um beijo
e nasceu um rio de madrugadas
que desaguaram sobre o peito.
Um renascer
em que se adormece ao sol do sonho
deitados de costas no chão
respirando o hálito fesco da terra ainda húmida.
e nasceu um rio de madrugadas
que desaguaram sobre o peito.
Um renascer
em que se adormece ao sol do sonho
deitados de costas no chão
respirando o hálito fesco da terra ainda húmida.
Bendito campo
pobre de terra mas cheio de vida
que acena aos pássaros com as suas mãos de espiga
e agradece às raizes o dom da seiva.
Hoje,
os rios libertam as sereias
e o seu canto de harpa mágica
e as colinas rasgam o céu
com a força desmedida da terra-mãe.
O meu amor está em festa
cumpre-se a vida na colmeia
renasce o sol
e quere-se a lua.
que acena aos pássaros com as suas mãos de espiga
e agradece às raizes o dom da seiva.
Hoje,
os rios libertam as sereias
e o seu canto de harpa mágica
e as colinas rasgam o céu
com a força desmedida da terra-mãe.
O meu amor está em festa
cumpre-se a vida na colmeia
renasce o sol
e quere-se a lua.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
Ausência
Nasce a saudade no abrir dos braços
e a ave da angústia que esvoaça no vazio
faz o ninho no meio do peito.A tua ausência é uma planta de cacto.
Perene,
trespassa-me em tropismos que dilaceram.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
Re(a)cordar
Ao anoitecer,
quando os homens, como os pássaros,
se despenham nas suas árvores
o cheiro primaveril das flores roxas,
aponta para uma outra vereda.
Um de novo encher o peito,
um recobrar primário dos sentidos
poluídos nos caminhos entre os espelhos,
entre as mãos e os olhos
e pelo esquadrinhar dos desejos.
Só depois,
o submergir no mar do sono,
numa calma sem fantasmas.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
A escultura - três sextilhas
Com um cinzel de esperança
nas mãos fortes da lembrançatento a escultura suprema.
Entre os dedos corre-me o tempo
pelo coração um vento
da verdade que me algema.
Bebo a água que purifica
a mente que ainda acredita
num princípio criador.
Não falo de Deus mas de Luz
esse foco que me conduz
dentro da palavra Amor.
Eis que uma obra plena
surje entre sins e nãos;
é bem humana a figura
mudando em branda a pedra dura
com um coração entre as mãos.
Certeza
Até amanhã !
Tenho a certeza de que estarás comigo.
Mesmo que desaparecesses, hoje, ao fim do dia,
amanhã estarias comigo, dentro de mim.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
Frente a um cavalete transparente
Pega na tua paleta e mistura todas as tuas cores.
Do resultado, apenas tu, tens a total compreensão.
Se tiveres coragem, pinta-te e assina.
Poderás não ser um artista...mas és tu assumidamente!
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
Anátema
Súbito, reapareceu perante os nossos olhos.
Não queríamos acreditar!
Era o reavivar de feridas antigas,
Era um Anátema que nenhum de nós queria aceitar.
Sabemos que os factos balançam entre as nossa emoções.
Mas seria que estávamos preparados para semelhante provação?
De novo demos as mãos.
Se o Anátema se extinguiu não creio que em tal acreditemos.
Mas que acreditamos na nossa força, isso, é certo!
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Decisão
A fim de uniformizar matérias decidi começar a transferir para este blogue imagens e textos
dispersos por outros e separar definitivamente as áreas de intervenção.
Se acaso virem ou lerem algo de que já tenham conhecimento não se admirem.
sábado, 23 de junho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Três quadras para o fado Suplica
e sangra-me o peito um grito rouco
tudo quiz, fiz e vi mas não consigo
deixar de pensar que o sonho é louco.
Tive um desejo de asas brancas
rasgando o céu verde mar da esperança
quis dar-te uma bola azul com núvens francas
mas ela move-se rouxa e sem lembrança.
Podes dizer-me que vou partir triste
que as árvores não seivam, apenas sangram
mas se um homem canta sempre resiste
e junta-se aos que lutam e sempre cantam.
Cantado pela 1ª.vez por Nuno Mata no "Tasco Fora de Moda"-Alfama, em 28.06.2012.
sábado, 12 de maio de 2012
Quatro sextilhas para o Fado Raúl Pinto
Ao caminhar pelo mundo
num viver forte e profundo
fui levado a conhecer
ideias simples ou raras,
muita gente, muitas caras,
tempos de amar ou esquecer.
Tive a sorte de sentir
dentro de mim a subir
gentes, palavras e cores
áreas e gestos formosos
pausas e sons furiosos
pequenos ódios e amores.
Lábios perdendo o sorriso
a luz branca sem aviso
e trevas em pleno dia
ouvi pedir compaixão
e escutei dizer que não,
descobri a cobardia.
Serás tu a decidir
os caminhos por onde ir
e com quem acompanhar;
que a vida é feita de laços
e na força dos abraços
só aí o verbo Amar.
Poema/letra oferecido ao meu Amigo e Cantador Nuno Mata
estreado em 11.05.2012 no " Mesa de Frades"
domingo, 6 de maio de 2012
CEM
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Fado cinzento
Cinzento, muito cinzento,
augúrio de noite escura
onde cresce o desalento
e um tempo de lamento
que só o sonhar esconjura.
Recordação que não quero
trazer de novo comigo;
já vivi tempo severo
aliado ao desespero
e à dor que traz consigo.
A imagem dos meus olhos
em sonhos verás envolta;
não me importam os escolhos
nem o franzir dos sobrolhos
nos olhos à minha volta.
Nunca vendas os teus sonhos,
nada paga um sonho em si,
não há nada mais medonho
que ao venderes o teu sonho
deixar que sonhem por ti.
(Cantado pela 1ª. vez por Nuno Mata no Mesa de Frades em 21.7.2012, na música do Fado Bailado)
terça-feira, 10 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Matinal
Acorda meu amor que amanhece
mais uma suave e bela madrugada
foi-se a infeliz lua envergonhada
ficou este sol de amar que nos aquece.
Eu sei que o tempo já desvanece
as folhas da árvore tão desejada
mas na raiz ainda é encontrada
a seiva que os seus ramos fortalece.
E é aqui então que me enterneço
ao olhar-te assim feliz a meu lado
a compor para ti este meu fado
em que só tu me lembras e eu me esqueço.
Para ti meu amor sempre secreto
meu porto de abrigo mais que perfeito
o canto com que sagro no meu peito
este diário amor redescoberto.
(Quadras para um fado)
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Quatro sextilhas para um fado
Sem mais tempo tenho medo
vou contar-te sem segredo
tudo aquilo que vivi
o que é bom e mau saber
o que deves conhecer
do muito que eu aprendi.
É belo vogar na vida
numa nau bem construída
como é bom vogar no mar
e meter as mãos na terra
e olhar o céu que encerra
a tal pomba a voar.
Mas não esqueças os escolhos;
pranto não é só dos olhos
e que o peito também grita
que mãos rebentam cadeias
que há sangue fora das veias
e mágoas de gente aflita.
Um dia um rasgo de vento
cortará num só momento
os passos no meu caminho
e as palavras serão história
de mim só a memória
e tu seguirás sozinho.
(Cantado pela 1ª. vez por Nuno da Mata, com música do Fado Maria Rita, no "Mesa de Frades", em Junho de 2012)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Chegados aqui, um Fado
Cansado deste cansaço
de esperar pela esperança
pouco a pouco perco espaço
já que a vida é um bem escasso
que a morte cedo alcança.
de esperar pela esperança
pouco a pouco perco espaço
já que a vida é um bem escasso
que a morte cedo alcança.
De tudo o que carrego
em saco de peregrino
ao que afirmo e ao que nego
ao que vejo, ao que estou cego
falta apenas o destino.
em saco de peregrino
ao que afirmo e ao que nego
ao que vejo, ao que estou cego
falta apenas o destino.
Por apego ou por desleixo
além do mar na minha frente
de tesouro apenas deixo
as mãos em concha em que fecho
este amor por toda a gente.
Guardo-o pedaço a pedaço
esse amor que me não cansa
e grito pelo seu abraço
apesar deste meu cansaço
de esperar pela esperança.
(Original da letra/poema oferecida ao bom Amigo e fadista Jorge Morgado)
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Posfácio

E um dia, amanhã, perguntarei:
Que fizeste ?
E acharei, indubitavelmente, que fiz muito pouco
ou quase nada.
Nesse momento, terei a certeza de ter chegado ao fim.
Nesse instante talvez levante as persianas e abra a janela
e à falta de melhor destino...salte.
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