quarta-feira, 21 de agosto de 2019
Hora da Poesia - Rádio Vizela
www.mixcloud.com/Radiovizela/hora-da-poesia-entrevista-a-miguel-gomes-coelho-10072019/?fbclid=IwAR095cmi1MHhzKytias_ssHY3hooCm5P2TqODIjm7wqMVCSvvwpV-XiMQTs
sábado, 17 de agosto de 2019
A decisão de Quiron
No cruzamento dos caminhos
vagueio na companhia de Prometeu.
Também rebento cadeias, enfrento águias que me devoram,
Também rebento cadeias, enfrento águias que me devoram,
assolo fráguas que queimam e ofereço aos homens o fogo.
Recordo Quiron e até abdico da eternidade.
Continuam a existir Hidras de sangue venenoso.
Como Quiron, troco a eternidade pelo fim da dor.
Enfim, enfrento os deuses e torno-me homem.
Recordo Quiron e até abdico da eternidade.
Continuam a existir Hidras de sangue venenoso.
Como Quiron, troco a eternidade pelo fim da dor.
Enfim, enfrento os deuses e torno-me homem.
Miguel Gomes Coelho
sexta-feira, 30 de março de 2018
quarta-feira, 28 de março de 2018
Fado Zé Manel
sábado, 18 de junho de 2016
De resposta a um desafio...
"Si
le hubiera cortado las alas habría sido mío, no habría escapado.
Pero
así, habría dejado de ser pájaro y yo, yo lo que amaba, era el
pájaro."
Joxean
Artze.
Pedi-te
sempre que não olhasses para trás.
Tu
sabias que te queria demais,
na
totalidade, por dentro e por fora,
só
para mim e sem deixar nem um pouco para ti.
Tu
existias para que eu existisse
queria-te
sempre a voar ao meu redor,
era
eu o teu único destino...
Foi
apenas isto que te obriguei a interiorizar
por
isso , num equívoco, deixei-te esvoaçar
e
tu não voltaste, seguiste e cumpriste,
nem
olhaste para trás...
Aí, entendi como era falso...
Aí, entendi como era falso...
Descobri,
já só, que afinal eras tu o meu destino,
que
te amava por ti e apenas por ti.
Descobri
que as minhas mãos apenas têm dedos e não
tenazes e
os
meus braços apenas abraçam não agrilhoam;
o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige,
o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige,
o
amar é dar e aprender.
Agora...
só,
olhando
cada dia que nasce,
repondo
lá longe a linha do horizonte,
sejas
tu o Sol ou apenas o meu Sol,
espero
ansiosamente que inicies o teu voo de
regresso....
Miguel
Gomes Coelho
2016
domingo, 8 de março de 2015
A apresentação de José do Carmo Francisco
“O
Exemplo das Árvores”
de
Miguel Gomes Coelho
A
Poesia não é a voz do Mundo. E talvez nunca tenha sido ao longo do
Tempo e da História. Hoje a voz do Mundo é a morte, a escuridão e
o esquecimento. Pelo contrário, a Poesia é feita de luz, de vida e
de memória. Este livro também. Camilo Castelo Branco escreveu um
dia que «A Poesia não tem presente; ou é sonho ou saudade». E vem
a propósito lembrar o grande mestre da Literatura Portuguesa nascido
em Lisboa na Rua da Rosa em 1825. Se fosse vivo ele comentaria este
segundo livro deste autor com uma palavra muito do seu agrado – a
palavra cometer. Ora o autor deste livro «cometeu» em 1978 outro
livro com o título de «De coração na mão». Ou seja – a
Natureza e a Cultura lado a lado, tal acontece como no título deste
livro hoje em apreço – «O exemplo das árvores». Na verdade são
seis os capítulos deste livro de poemas mas, como acontece nos
livros de contos, o autor escolheu um dele para título do conjunto.
Neste caso é «O exemplo das árvores» que ocupa as páginas 11 até
18. Vejamos o poema inicial do capítulo: «Seja qual for o destino /
do voo das tuas mãos / lembra-te / e pensa maduramente / no exemplo
da árvores». Este advérbio de modo («maduramente») surge aqui
como valor enfático de uma reflexão. Ao longo dos séculos a Poesia
nunca hesitou em chamar as coisas pelos seus nomes mas tem oscilado
sempre entre a canção e a reflexão. Neste primeiro capítulo é a
reflexão que conta como por exemplo no poema da página 16: «Não
li uma linha / nem escrevi uma frase / mas tive um poema nos meus
braços / e declamei-o com toda a força do meu silêncio / não
fosse alguém quebrar-me o encantamento». Já em «Mar final» a
força está na reflexão sobre a viagem que é uma projecção da
vida. Começa na página 21 («Porque sempre se cantam as mães
/cantemos também a morte / que é a mãe do nada»), percorre a
página 23 («Apenas deixarei ficar / um último aceno / ninguém
mais se recordará desta barca / ou deste mareante») e conclui na
página 25: «Depois lancem as cinzas ao vento / e nele escrevam o
epitáfio. / Realiza-se assim o sonho seminal da morte / Nasce a
memória, talvez a saudade». A ligação entre esquecimento e morte
confirma-se na página 28: «Neste tempo que se liquefaz / e corre
célere num túnel de nevoeiro / o único destino é o esquecimento.»
O terceiro capítulo é «Com as mãos cheias de gente» permitindo
que o poema faça perguntas em voz alta e no colectivo: «De que
serviu, então, o passado? De que serviu ter as mãos cheias de gente
/ e o coração do tamanho do mundo? / De que serviu a promessa
jurada de um futuro / inteiro e limpo de braços encadeados / numa
marcha segura / o horizonte como destino / olhando em frente?»
Noutro poema se escreve o Natal de modo diferente: «É noite e as
estrelas estão lá em cima. / Uma criança nasce com a morte já
estampada nas faces (…) É assim o Natal no Darfour / e as mesmas
estrelas estão lá em cima». Por isso se pensa em Deus pela
negativa: «Se Deus existisse / as pedras lançadas em seu nome /
transformar-se-iam em água / saravam feridas, purificavam actos; /
mas Deus, se existiu, morreu / e não deixou testamento / nem
descendência». Em «Transparências» os poemas são breves entre
dois e cinco versos, concentrando a canção e a reflexão na mesma
temperatura como na página 52: «Nunca abras um espelho / nunca
queiras ver o que lhe ficou gravado na memória». O capítulo
«Diapositivos» reflecte no seu conjunto de seis andamentos poéticos
uma ideia ancorada no título do livro: A Natureza fornece a imagem,a
Cultura faz a sua apropriação por escrito e por extenso. A Poesia é
um vulcão que ainda não está extinto porque como na página 61 «De
uma furna onde / ainda esvoaçam emoções / renasce um tardio rio de
lava; / um espanto no entardecer / em que o sol se demora um pouco
mais / no aguardar da noite certa». Por fim em «Oldenburg» o livro
é uma linha paralela entre em dois poemas – «Nocturno» e
«Encontro em Oldenburg». A base é uma promessa («Disseste que me
ias trazer mais vida») e o ponto de chegada é um balanço. Dito de
outra maneira, trata-se aqui de um inventário qualificado. O poem
avisa o destinatário - «Quero ensinar-te tudo o que aprendi e / o
que descobri no vogar dos dias» - e mesmo na adversativa para o
destinatário- «Vais saber que as lágrimas / não caem só dos
olhos» - e também para o autor - «Andar pela vida não é fácil»
- o ponto a atingir fica dentro do enunciado do possível: «saber
que os homens podem ser / como as árvores». «O exemplo das
árvores» que dá título ao presente livro de poemas é o modelo
(breve embora) de tudo o que permanece apesar do desgaste e da
erosão. Porque as árvores dão aos homens o exemplo vivo e concreto
da ligação à terra e ao seu calendário de sementeira trabalhosa e
de colheita festiva. Os parvalhões que gritam ao telemóvel o brutal
e imperativo «Tázadonde?» nos bancos do autocarro, do eléctrico,
do elevador ou do Metro, são a voz do Mundo que fala alto e atropela
mas não são a voz da Poesia. Nem nunca serão eles, os que falam
alto, essa voz porque o seu som gritado se vai perder muito depressa
nas valetas do esquecimento enquanto a Poesia tem e terá sempre os
seus leitores, teimosos e heróicos, capazes de a invocar seja no
bulício da rua seja no silêncio dos corações. (Edição: Fólio
Exemplar, Capa e Paginação: Ana Nunes) --
Autoria e outros dados (tags, etc)
por José
do Carmo Francisco
às 13:49
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
sábado, 2 de agosto de 2014
Matilde canta o poema Matinal
Numa magnífica noite de fados no Arcaz Velho em Alfama, acompanhada por Bruno Mira e o indispensável Pedro Pinhal, a minha amiga Matilde Antunes estreou, com música do fado "Esmeraldinha", o canto do meu poema "Matinal". Um grande agradecimento à Matilde pela forma como o interpretou enchendo-o com toda a sua sensibilidade.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Novas quintilhas para fado
Bebo
um copo de mágoa
lentamente,
trago a trago
atiçando
esta frágua
como
é pesada esta água
como
é duro o preço pago.
Há
sombras correndo as ruas
que
tenho dentro de mim;
sombras
negras, fazendo suas
essas
ruas tão cruas
de
que não descubro o fim.
Ficarão
no meu sudário
numa
imagem imprecisa
tornado
em relicário
de
um perfeito fadário
desta
vida que me pisa.
Bebo
um copo de mágoa
e espero o fim do rio
como
é pesada esta água
mesmo
ardendo nesta frágua
o
meu corpo fica frio.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Prometeu a meio da tarde
Só a música me acalma
e sorte a minha aconchego-me
ao agrilhoado Prometeu;
Hércules está ao meu lado e venero-o.
Um
dia de folhas caídas
por
dentro e por fora.Ao contrário do habitual
não me tremem as mãos
- não há deuses que me façam tremer as mãos -
e um vazio de poço profundo existe
sem que nada se divise.
E
assim,
olhando
a língua enroladade quem à minha frente
embala uma cornucópia
ponho um ponto final
e desisto do resto do dia.
Jan.2014
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Quadras soltas para fado
Num
encontro encontrei
sem
esperar em tal espera
o
que ter nunca tivera
amor
como nunca amei.
Quando
olho o teu olhar
ao
beijar a tua boca
muito
pouco se apouca
muito
sinto que ganhar.
Por
ti sigo, por ti corro
por
ti paro, por ti espero
por
ti vivo , por ti morro
por
ti choro e desespero.
Na
distância deste grito
meu
coração corre ao teu
pode
ele estar no infinito
estará
sempre ao pé do meu.
3/2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Nuno Mata canta "Fado Cinzento" de Miguel Gomes Coelho
Um grande cantador que tem dado, além de uma grande amizade, a conhecer quase toda a minha poesia para fado.
Tudo o que possa dizer será pouco como agradecimento
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Jorge Morgado cantou Miguel Gomes Coelho
O meu primeiro poema para fado - Cansado deste cansaço - teve honras de ser cantado na noite de Lisboa.
Obrigado ao Jorge Morgado que lhe deu voz e instigou o autor a começar esta aventura na escrita.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Quatro quintilhas para o Fado Tango
Subo ao cesto da gávea
deste barco que sou eu
baloiço ao sabor das vagas
deste mar feito de mágoas
que a minha vida me deu.
Nada vejo que seja fonte
de prazer ou bom augúrio
nada há no horizonte
lugar feliz que se aponte
nem um grito nem murmúrio.
Desisto de ser gajeiro
volto ao convés,
ao coração,
desço (as) velas
por inteiro
o leme sem timoneiro
(e) olho o fim
sem ilusão.
Este meu mar é
fatal
tem um penhasco
no fim
onde se despenha
afinal
todo o bem e todo
o mal
e o nada que
resta de mim.
domingo, 22 de julho de 2012
Nuno Mata, cantador de fado
Uma fotografia que vale por um agradecimento.
O Nuno estreou, ontem, com a música do Fado Bailado, o canto do "Fado Cinzento".
http://joaoolhosnomar.blogspot.pt/2012/04/fado-cinzento.html
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Releitura justificada
(...e enquanto uns de mãos cheias gozavam a prerrogativa de um horizonte aberto
outros sobreviviam em cada minuto vivido .)
O grito retumbou como um rasgão de denúncia.
Correram todos à rua levando
a única arma que os distinguia
o cheiro a sal a cimento a aço
a terra apodrecida
o olhar vítreo no horizonte limitado
mas firme no horizonte sempre reinventado.
Era a Liberdade
a revolução exangue
a espada paladina desembainhada
por sobre as cabeças gritando
que para sempre se haviam fundido
as grades os grilhões e as cadeias
não seriam mais colmeias de gente desesperada.
Era a Liberdade
de se ser homem
ser livre no pensamento
olhar o pão e dizer MEU
porque ganho sem opressão.
Era a Liberdade
de dizer suas as suas mãos
e no delinear de um gesto
um símbolo supremo e simples
ficasse suspenso e dissesse
FUTURO.
Era a Liberdade
de provocar na memória o esquecimento
e de mãos em concha receber
e molhar os olhos de água pura
de um poço subterrâneo de novo aberto.
Era Liberdade
de poder correr ao campo sozinho
e gritar a opressão e a chacina
sem olhar de soslaio as árvores e as plantas
sem desconfiar do próprio ribeiro limpo.
Era a Liberdade
de poder escrever e denunciar
os versos de dor tão idealizados
sem recorrer ao laboratório da mente
e escolher palavras cobertas.
Era a Liberdade
de poder dizer País e Pátria amada
de ser livre e dar aos outros
à luz do dia e da razão
a mão tão franca
outras vezes dissimulada.
Era a Liberdade
e o fim de todas as cadeias
de toda a opressão
de todas as ideias
impostas sobrepostas.
Era a Liberdade !
E na rua
de mãos nuas
o Povo gritava
" Água pura ! Água pura ! "
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Poesia-De Coração na Mão-1978
Natal no Darfour
É noite e as estrelas estão lá em cima.
Uma criança nasce com a morte já estampada nas faces,
como a outra.
Só que não durará trinta e três anos nem
trinta e três dias nem
trinta e três horas;
talvez trinta e três minutos ou
trinta e três segundos ou talvez já nasça morta.
É assim o Natal no Darfour
E as mesmas estrelas estão lá em cima.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
Orgulho
Plantámos três árvores.
E que belas são, que força existe nos seus ramos,
que seiva rica lhes corre nas entranhas.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
Dia feliz
Hoje estou contente.
Os lábios são de semente
e o futuro cheira a jasmim.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
quinta-feira, 5 de julho de 2012
A linha do horizonte
Mantens-te a querer ser um náufrago no seco leito de um rio.
O teu olhar diz-me que renunciaste.
O teu silêncio diz-me que te resignaste.
O teu corpo diz-me que desististe.
Retiraste, mesmo, a linha ao horizonte.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
Duas linhas
Por muito que nos afastemos
a nossa sombra andará sempre de mão dada.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
Poema contigo
É bom saber que estás por perto
embora das tuas mãos não brotem gestos solares
nem da tua boca surjam rumores de mel.
Mas é bom olhar e sentir que estás
porque a tua ausência seria a amargura nos dias
e as noites um túnel de insónia.
Por mais que te sinta transparente
não posso esquecer o tempo
em que dávamos de comer à ave dos sonhos.
E que da nossa árvore brotou seiva,
que nasceram risos e cairam lágrimas
e se levantaram manhãs que nos justificaram.
Por mais que pressinta o desentrelaçar dos nossos ramos
eu sei que seguiremos sempre resguardando os frutos
até que a árvore se consuma.
(Recuperado do Blogue Vermelho Cor de Alface)
quarta-feira, 4 de julho de 2012
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