sábado, 10 de julho de 2010

Treffen in Oldenburg

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Por fim, encontrei-te !

Espero que tenhamos muito tempo
para conversar.

Quero ensinar-te
tudo o que aprendi e
o que descobri no vogar dos dias .

Andar pela vida não é fácil
mas é bom. É bom viver,
aprender e amar. É bom
o olhar o mar, o sentir a terra,
o inebriar-se com o cheiro do campo molhado,
com as cores de uma seara em pleno sol;
o admirar o voo das aves
e o labor das abelhas e das formigas;
saber que os homens podem ser
como as árvores,
que as suas mãos podem ser conchas e
os seus braços ancoradouros
como num oceano mágico..

E não vou esconder-te nada!

Vais saber que as lágrimas
não caem só dos olhos,
que o peito também grita,
que há braços que rebentam cadeias e
que da boca não nascem só sorrisos
e, também,
que existe sangue,
muito sangue, e não só nas veias;
que podem aparecer trevas em pleno dia
como acontecer uma luz fulgurante
capaz de transmudar o escuro.

E que de dentro de ti
podem brotar cores e palavras,
manchas e silêncios,
sons e movimentos de beleza incalculável,
ruídos e quietudes inexplicáveis,
saberes e incógnitas ainda por descobrir.

Saberás ,também, que um dia
prepararás a tua partida,
e sentir-te-ás , certamente
porque cumpriste a vida,
contente pelas sementes, feliz pelas raizes,
realizado pelas árvores.

Súbito,
um vento frio atravessará o meu caminho;
hão-de se me secar as palavras
e desvanecer as recordações;
terei chegado ao fim do meu mar...
E nessa altura
tu continuarás sem mim
- ou comigo
se recordares as nossas conversas -.

Serás tu, então,
com os teus amores e pensamentos,
a apertar mãos e a trocar sentimentos,
a contar o que os teus olhos viram
e as palavras que ofereceste,
a escolher a tua companhia
e a transmitir-lhe o que aprendeste.

Contudo, recorda-te sempre:
Os espelhos para onde olhares
apenas falarão de ti . Esquece-os !
Recusa, sempre, pensar-te só.
O destino é de colmeia;
só aí te justificarás.

É muito importante que assim seja!...

E, apenas por isto,
já terá valido a pena
este nosso encontro em Oldenburg.
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