Sábado, 12 de Maio de 2012

Quatro sextilhas para o Fado Raúl Pinto



Ao caminhar pelo mundo
num viver forte e profundo
fui levado a conhecer
ideias simples ou raras,
muita gente, muitas caras,
tempos de amar ou esquecer.

Tive a sorte de sentir
dentro de mim a subir
gentes, palavras e cores
áreas e gestos formosos
pausas e sons furiosos
pequenos ódios e amores.

Lábios perdendo o sorriso
a luz branca sem aviso
e trevas em pleno dia
ouvi pedir compaixão
e escutei dizer que não,
descobri a cobardia.

Serás tu a decidir
os caminhos por onde ir
e com quem acompanhar;
que a vida é feita de laços
e na força dos abraços
só aí o verbo Amar. 

Poema/letra oferecido ao meu Amigo e Cantador Nuno Mata
estreado em 11.05.2012 no " Mesa de Frades"

Domingo, 6 de Maio de 2012

CEM


 Na tua ausência !
No teu lugar coloquei uma rosa príncipe negro, a que tu mais gostavas...
E manteve-se viva como se manterá a tua memória...
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

Fado cinzento

Cinzento, muito cinzento,
augúrio de noite escura
onde cresce o desalento
e um tempo de lamento
que só o sonhar esconjura.

Recordação que não quero
trazer de novo comigo;
já vivi tempo severo
aliado ao desespero
e à dor que traz consigo.

A imagem dos meus olhos
em sonhos verás envolta;
não me importam os escolhos
nem o franzir dos sobrolhos
nos olhos à minha volta.

Nunca vendas os teus sonhos,
nada paga um sonho em si,
não há nada mais medonho
que ao venderes o teu sonho
deixar que sonhem por ti.

Terça-feira, 10 de Abril de 2012

Uma noite no Fado



na companhia de dois grandes cantadores - Jorge Morgado e Nuno Mata -.
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Anelo

The_scream.jpg (320×320)

Procuro encontrar-me na distância de um grito...!

Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

Matinal

matevalexander_thumb.jpg (728×869)





















Acorda meu amor que amanhece
mais uma suave e bela madrugada
foi-se a infeliz lua envergonhada
ficou este sol de amar que nos aquece.

Eu sei que o tempo já desvanece
as folhas da árvore desejada
mas das raizes 'inda é solevada
a seiva que os ramos fortalece.

E é aqui então que me enterneço
ao olhar-te assim feliz a meu lado
a compor para ti este meu fado
em que só tu me lembras e eu me esqueço.

Para ti meu amor sempre secreto
meu porto de abrigo mais que perfeito
o canto com que sagro no peito
este diário amor redescoberto.

(Quadras para um fado)



Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

Cinco sextilhas para um fado

 Avô-e-Neto.jpg (290×400)                            


Sem mais tempo tenho medo
vou contar-te sem segredo
tudo aquilo que vivi
o que é bom e mau saber
o que deves conhecer
do muito que eu aprendi.

É belo vogar na vida
numa nau bem construída
como é bom vogar no mar
e meter as mãos na terra
e olhar o céu que encerra
a tal pomba a voar.

Mas não esqueças os escolhos;
pranto não é só dos olhos
e que o peito também grita
que mãos rebentam cadeias
que há sangue fora das veias
e mágoas de gente aflita.

Um dia um rasgo de vento
cortará num só momento
os passos no meu caminho
e as palavras serão história
de mim só a memória
e tu seguirás sozinho.

1/2012

Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012

Joana

O que não me disseste por palavras...

Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

Chegados aqui, um Fado

                                            
                                            Tão cansado deste cansaço
                                            de esperar pela esperança
                                            pouco a pouco perco espaço
                                            já que a vida é um bem escasso
                                            que a morte cedo alcança.

                                           De tudo o que carrego
                                           no meu saco de peregrino
                                           ao que afirmo e ao que nego
                                           ao que vejo, ao que estou cego
                                           falta apenas o destino.

                                           Por apego ou por desleixo
                                           além do mar na minha frente
                                           de tesouro apenas deixo
                                           as mãos em concha em que fecho
                                           este amor por toda a gente.

                                           Guardo-o pedaço a pedaço
                                           esse amor que me não cansa
                                           e grito pelo seu abraço
                                           apesar deste meu cansaço
                                           de esperar pela esperança.

(Original da letra/poema oferecida ao bom Amigo e fadista  Jorge Morgado)

Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Dourado e vermelho

R_620.jpg (480×640)

Hoje, ofereço-te uma romã !
   Merece-la em todo o seu significado...

Terça-feira, 4 de Outubro de 2011

Sentença

mataram-norma1.jpg (293×279)

-Mataram o Rei ?
-Não, mataram um homem !
-Tens pena do Rei ?
-Não!
Tenho pena do homem .

Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

Posfácio

nada1.jpg (344×490)


E um dia, amanhã, perguntarei:
Que fizeste ?
E acharei, indubitavelmente, que fiz muito pouco
ou quase nada.
Nesse momento, terei a certeza de ter chegado ao fim.
Nesse  instante talvez levante as persianas e abra a janela
e à falta de melhor destino...salte.

Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

Germinal


E aquela aragem fresca desperta-me do torpor.
Afinal ainda gosto de pensar
que as palavras podem ser borboletas procurando o doce
num jardim onde os jovens se beijam e excitam;
que existe quem as ouça e entenda
e malgrado o fingimento
vá perdendo pétala a pétala a sua corola
abrindo com prazer o gineceu.

Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

Intempestivo


De uma furna onde
ainda esvoaçam emoções
renasce um tardio rio de lava;

um espanto no entardecer
em que o sol se demora um pouco mais
no aguardar da noite certa.

Já não existem promessas de manhãs
e das tardes só já a recordação;
certo  só o sol que arrefece no horizonte.

Mas tanta cor excita  tanto calor embriaga
e o moroso movimento hipnotiza
e celebra-se a volúptia por o vulcão
ainda não estar extinto.

Terça-feira, 16 de Agosto de 2011

Ínsito


Posso estar ferido mas estou vivo
e enquanto vivo, luto !

Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

Angústia e lamento


...e pressentindo que ele me foje...

quero dar-lhe as mãos,
apertá-lo contra o peito,
ensinar-lhe tudo o que sei,

mas não me deixam...

e eu que queria tanto
falar-lhe sobre as árvores...

Segunda-feira, 20 de Junho de 2011

Só por ti...um soneto

 
Doeu-me tanto a tua dor não sendo minha...
Muito mais que sendo minha doesse...
Mas as minhas dores eu já não sinto,
doem-me as tuas e disso muito padeço.

Não me dói a carne, dói-me por dentro.
Eu sei do que falo, já lá passei
Por essa terra de tormento,
do esquecimento, eu sei!

Mas tens aqui a minha mão e a minha força
O meu peito e a minha voz para gritar
Não só a minha, de todos , a nossa

Aquela voz antiga que nos traça
o destino de seguir em frente, de lutar
e destingue os homens da nossa raça.

Domingo, 15 de Maio de 2011

Weekend survivor

 
(Imagem: Pintura em acrílico e pastel s/tela)

Domingo, 8 de Maio de 2011

Estigma



Não posso recordar o que não sofri
mas posso pressentir a angústia e
a dor dos que sofreram.

Tirei fotografias ao passado e
revelei-as aqui dentro
sairam nítidas    a preto e branco,
sempre a preto e branco
como a tortura e a dor punjente.

Por muito que se seja forte, dói !
Dói sempre e violenta !

Aqui nunca voam as recordações,
tudo fica, perene,
a marcar de ferrete
toda uma memória.

Abril, 2011

Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

Imperativo

...reencontrar rápidamente o mar
que me afogo de tanta terra.

Quarta-feira, 23 de Março de 2011

Um olhar estilhaçado


Um horizonte de facas !
Apesar do Sol nas esplanadas
todos vão beber sumos azedos;
até os rebuçados das crianças
serão imagináriamente doces.

E julgavamos nós que as pedras
da rua seriam de açucar e
que o Sol seria quente e não gelado;
e que as mãos dos homens seriam
gavinhas entrelaçadas quando
acordamos naquela manhã e vimos
que afinal o céu era verde.

Também não era de esperar outra coisa.
O céu era habitualmente cinzento
escuro quase negro
e embora as gentes gritassem de
várias cores só uma se sobrepunha
- o cinzento escuro quase negro.

Tudo isto já era só memória
até hoje... continuam as gentes
a gritar de várias cores mas
as facas no horizonte de afiado fio
lembram-nos o cinzento quase
negro de outros tempos
em que as gavinhas eram decepadas.

2011

Domingo, 13 de Março de 2011

Desengano



Continuo a procurar-te colmeia
para te crestar o mel,
mas só encontro vespeiros...

Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

Recusando desistir

...olhou o mar tão perto
e desenhou os seus desejos dourados na espuma das ondas.

(Imagem: acrílico s/tela)

Sábado, 22 de Janeiro de 2011

Em dia de reflexão

(Imagem: Pintura em acrílico sobre tela e pasta)

Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

Natal


Não necesito de uma improvável estrela
para saber por onde vou.

O meu caminho é o da Terra e dos Homens
da água, do húmus, das árvores,
das mãos entrelaçadas, dos corações irmanados,
do pensamento gregário.

Por aí, sim,  renasce e reencontro, cada dia,
o meu Natal.

12/2010

Domingo, 12 de Dezembro de 2010

Afectos

(Imagem: acrílico s/tela)

Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Início


Teus olhos lacrimejantes
duas pétalas de flor orvalhada
soriam à feliciodade de haver no mundo
um ser a quem amar.

Colhi essas pétalas na retina
dos meus olhos tornados mansos
e recoloquei-as em pensamento
numa corola doce branca
numa haste fina e sem espinhos.

Tudo plantei no húmus fértil
do campo por lavrar da nossa vida
e reconstitui-te;

recordei-tre
olhando para mim
lacrimejante
quando mais uma vez te disse .
-Meu Amor !

Arquivo-1970


Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Contador de enganos

Nunca abras um espelho;
nunca queiras ver o que lhe ficou gravado na memória. 

(Imagem: Acrílico s/ tela)