terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carnaval ?




Quotidianamente
a perseguição
sempre      a máscara
no fingimento permanente desta peça.

Que importa quanto um homem meça ?

Que importa ?

O importante é ficar
sempre distante
cristalizar em suspensão
ter sempre saída para um aperto de mão.

Mas quem homem
é capaz de ficar quêdo ?

Não é homem !
Não é homem !

Que um homem tem medo
mas sentir na boca o gosto azedo
da traição ulcerada
é vómito      agonia lenta
ser podre      muito podre
vale mais sedr nada !

Mas quotidianamente
de novo a hipocrisia ...

E a marcha arranca e ri ...
que importa quem sofra acolá ?
O que importa é quem ri aqui !

Quem importa     quem desce
as areias movediças
que importa quem decresce ?
Vivam as caras postiças
que as faces não mostram
antes ignoram
porque nem sequer fingem
e morrem
de pedras roliças feitas
sem arestas nem gumes
acres     cruas
pulverolentas
prostitutas.

Prostitutas !
Sim, prostitutas !

Vendidas e definhadas
cada dia mais vendidas
mais pulverolentas     putrefactas.

Pasmo de nojo...
Cuspo !

De Coração na Mão - Ed. de Autor -1978


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